quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ela

A bronca, hoje, é comigo. Parece que tirei férias de mim mesma e, depois, perdi a chave para voltar à origem. Claro que, inicialmente, eu talvez não quisesse, ou não tivesse certeza se queria voltar á origem, mas devia ter previsto que, cedo ou tarde, eu ia sentir falta do lugar onde punha meus chinelos e pijama da alma.

A bronca, hoje, é não saber bem onde foi que me deixei, ter algumas certezas, mas não todas e não saber bem como acessá-las, as certezas.

A bronca é saber que a maioria está no mesmo barco, mas cada um resolve de um jeito e a bronca de achar que todos conseguem resolver melhor do que eu.

domingo, 22 de março de 2009

As diferentes versões para o sumiço

Aos que acharam que Lóri tinha mordido a maçã errada e tinha ficado como a moça do cartaz...

... vimos anunciar que foi apenas uma reviravolta, que começou aqui mesmo junto ao mar e continuou no meio do oceano, lá onde o vento faz a curva, nas ilhas de Atlântida, terra de magia. Estava ela bem no centro da Capital a tentar entender o falar tão castiço do lugar...



... e a confabular com a maioria demográfica (?) que aliás é muito simpática e tão "requinha".


Mas, sempre há mais de uma versão para o mesmo fato. Há quem diga que não existe a verdadeira história, apenas, versões de um fato.


terça-feira, 17 de março de 2009

Maná en vivo - Bendita Tu Luz

É bonito ver essas vozes deste "sulbúrbio" com sons e palavras que nos chegam à pele da alma.

Bendita Tu Luz
Maná

Bendito el lugar y el motivo de estar ahí
Bendita la coincidencia
Bendito el reloj que nos puso puntual ahí
Bendita sea tu presencia
Bendito Dios por encontrarnos en el camino
Y de quitarme esta soledad de mi destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada
Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada desde el alma

Benditos ojos que me esquivaban
simulaban desdén que me ignoraban
Y de repente sostienes la mirada(tarantintiriran)

Bendito Dios por encontranos en el camino
Y de quitarme esta soledad de mi destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada
Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada

Gloria divina de esta suerte, del buen tino
Y de encontrarte justo ahi en medio del camino
Gloria al cielo de encontarte ahora, llevarte mi soledad
y coincidir en mi destino, en el mismo destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada
Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada

Bendita mirada oh oh
Bendita mirada desde el alma
Tu mirada oh oh
Bendita bendita bendita mirada
Bendita tu alma y bendita tu luz
Tu mirada oh oh
Te digo es tan bendita tu luz, amor, amor
Tu mirada oh oh

Bendito el reloj y bendito el lugar
Benditos tus besos cerquita del mar
Tu mirada oh oh
Amor, amor, qué bendita tu mirada
Tu mirada amor

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Paralamas do Sucesso - A Novidade (clipe original)

A Novidade


Composição: Gilberto Gil

A novidade veio dar a praia
Na qualidade rara de sereia
Metade o busto de uma deusa maia
Metade um grande rabo de baleia
A novidade era o máximo
Um paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia
O mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
O, o, o, o...
De um lado esse carnaval
De outro a fome total
O, o, o, o...
E a novidade que seria um sonho
O milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho
Ali naquela praia, ali na areia
A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado
Estraçalhando uma sereia bonita
Despedaçando o sonho pra cada lado
Ô Mundo tão desigual...
A Novidade era o máximo...
Ô Mundo tão desigual...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pausa

Prezados visitantes,

logo após o Natal, este blog - ou quem por ele se responsabiliza - fechou para balanço, curtas férias, inusitadas alegrias, inesperados encontros, insuspeitas mudanças de rumo, e alguns indesejáveis imprevistos, além de ter emendado com intensivo trabalho logo no início do novo ano, trabalho esse que acumulou com todos os in citados anteriormente. Toda essa conjunção astral resultou em uma pausa mais longa do que se previa, mas também em muitas e imprevisíveis sensações.

Espero que estejam a engrenar o novo ano a contento ou que consigam ir corrigindo o rumo à medida que as incoerências se apresentarem e que as decisões do réveillon forem esmorecendo.

Espero, igualmente, que não fiquem na bronca com os responsáveis pelo blog, pelo menos, não por muito tempo. Lóri, a sereia das águas do norte, voltará a desviar os mesmos preciosos e contados navegantes para estas águas, muito breve.

En attendant, Bonne Année à tous!
Façam o ano de vocês realmente Novo!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Fallait-il que l'on s'aime, et qu'on aime la vie


Fui a um concerto. Ou a um show, como queiram, daí ou daqui. Tinha Gilberto Gil, insosso e de menor expressão. Mas tinha Lenine, vibrante e cheio de tesão. (oopsss! É que saiu, rimava tão bem, não só na letra mas também na atração). E tinha o Aznavour, idem idem como o Lenine, com a diferença que ele tem mais uns quarenta anos que este último. O francês, armênio de nascença, magrinho, grisalho e com uma energia e entusiasmo de fazerem inveja aos meus cabelos pintados e ao meu DNA quarentão.


Foi o lançamento oficial do França.br, Ano da França no Brasil. Mas teve gente do meu lado que disse que, na verdade, os franceses estão mesmo interessados em vender armas e submarinos ao Brasil, para enfrentar o Chavéz. Alguém pode me explicar? É que fiquei matutando no fato de que o Brasil tem fronteira terrestre com a Venezuela e, a julgar pelo noticiário, o Lula e o psicótico presidente amigo do Evo, estão mais para bater uma pelada aos domingos do que para jogar batalha naval.

O jovem avançado na idade brasileiro cantou essa aí de baixo. E o idoso vendendo energia e jovialidade francês cantou a outra e várias mais. E essa letra cai tão bem na saison!


A gente vem do rap e da favela,
A gente vem do centro e da periferia,
A gente vem da maré, da palafita,
Vem dos orixás da Bahia,
A gente traz o desejo de alegria e de paz ...
Lenine

L’Année du Brésil en France, Brésil Brésils, en 2005, a connu un vif succès et permis de mesurer l’intérêt grandissant que le Brésil, puissance émergente, suscite en France. Désireux de poursuivre et d’approfondir les partenariats noués à cette occasion, les deux Présidents de la République ont décidé d’organiser un grand événement retour, une Année de la France au Brésil, França.br 2009


Le temps
Le temps qui va

Le temps qui sommeille

Le temps sans joie

Le temps des merveilles

Le temps d'un jour

Temps d'une seconde

Le temps qui court

Et celui qui gronde


Le temps, le temps

Le temps et rien d'autre

Le tien, le mien

Celui qu'on veut nôtre


Le temps passé

Celui qui va naître

Le temps d'aimer

Et de disparaître

Le temps des pleurs

Le temps de la chance

Le temps qui meurt

Le temps des vacances


Le temps, le temps

Le temps et rien d'autre

Le tien, le mien

Celui qu'on veut nôtre


Le temps glorieux

Le temps d'avant-guerre

Le temps des jeux

Le temps des affaires

Le temps joyeux

Le temps des mensonges

Le temps frileux

Et le temps des songes


Le temps des crues

Le temps des folies

Le temps perdu

Le temps de la vie

Le temps qui vient

Jamais ne s'arrete

Et je sais bien

Que la vie est faite


Du temps des uns

Et du temps des autres

Le tien, le mien

Peut devenir nôtre


Le temps, le temps, le temps
Charles Aznavour

domingo, 7 de dezembro de 2008

Ainda o amor...

...or what some use to call love.

Já que a Telma mencionou. Eu estou aqui matutando sobre a correlação que ela fez entre "Vicky Cristina Barcelona" e este poema. Por via das dúvidas, segue o poema que eu conheço bem e já tinha até esquecido. Vou buscar os meus livre de poche do Prévert pra ver a vida sob outro ângulo.


Pour toi mon amour







Je suis allé au marché aux oiseaux
Et j'ai acheté des oiseaux
Pour toi
Mon amour
Je suis allé au marché aux fleurs
Et j'ai acheté des fleurs
Pour toi
Mon amour
Je suis allé au marché à la ferraille
Et j'ai acheté des chaînes
De lourdes chaînes
Pour toi
Mon amour
Et je suis allé au marché aux esclaves
Et je t'ai cherchée
Mais je ne t'ai pas trouvée
Mon amour

Jacques Prevert

sábado, 6 de dezembro de 2008

Sinterklaas


Hoje, 6 de dezembro, é dia do Nicolau, ou o outro nome do Papai Noel. Pois é, essa história de que ele chega na noite de 24 é pura conveniência para pais e comerciantes que, desse modo, têm quase o mês de Dezembro inteiro para vender e comprar bugigangas e afins de uma variedade quase ilimitada de formas e preços. A tradição vem da Europa do Norte, ou Central, ou de Espanha. Ou, acreditem vocês de onde quiserem.

A primeira vez que ouvi falar deste dia, foi anos atrás, na minha aula de alemão. Tinha uma professora jovem e divertida, de Munique, que levou chocolate pra nós, todos maiores de 18, e contou a história da tradição da terra dela. A coisa deve ter me impressionado tão bem que eu nunca me esqueci. E hoje, ao ver a data no relógio do computador, deu vontade de pensar em o que eu pediria ao bom velhinho se pudesse acreditar. Vamos lá.

Para o Nordeste do Brasil, eu pediria chuva em abundância, mas apenas o suficiente pra fazer o chão gretado se transformar num jardim verde e espalhar o cheiro de terra molhada pela vizinhança, e trazer brilho ao olhar e conforto aos viventes.

Para Santa Catarina, eu pediria um milagre completo, muito completo mesmo. A cada novo dia, surge uma nova modalidade de desgraça consequência das inundações recentes. Portanto, só mesmo um milagre dos bons e abrangente. O resto já estão fazendo os voluntários e a solidariedade inata dos seres humanos.

Para o meu vizinho, eu pediria tolerância com meu barulho de saltos no assoalho de manhã, com a água que pinga quando eu rego os vasos da varanda, com o vazamento que pode acontecer a qualquer hora, além disso, pediria um sorriso quando eu passar por ele/ela na garagem e solidariedade quando eu esquecer o controle da garagem.

Para a minha família, eu pediria o amor incondicional de sempre, a comida fresquinha que sai infalivelmente das panelas da minha mãe, o abraço do meu pai em caso de cano estourado, batida de carro, ou crise profissional.

Para os meus amigos, eu pediria carona à meia-noite em dia de chuva, viagens divertidas e inesperadas, socorro em caso de desespero ou de abandono repentino, e tempo para uma caipirinha em fim de tarde, nem que seja uma vez por ano.

Para o meu coração eu pediria abraços, gargalhadas, música alta, música lenta, música suave conforme o dia.

Para a minha alma eu pediria luz e paciência com a inquilina.

E você, vai pedir o quê?



domingo, 30 de novembro de 2008

Mais um item de cinema


Hoje foi dia de Burn after reading. Gente, esses irmãos Cohen tão cada vez mais folgados. Dão-se ao luxo de fazer qualquer filme (agora vou ser execrada pelos experts!) pelo simples motivo de que há quem pague a fatura, e eu estou sendo absolutamente literal, não há metáfora nisso. Estou falando mesmo do financiamento da produção de um filme, que é gasto inerente à sua realização. Ainda mais considerando o casting escolhido... ui!

Agora, digam, se fosse um ilustre desconhecido tentando fazer um filme com esse argumento, duvido que encontrasse dinheiro. OK, eu sei bem que há realizadores que podem ter em mãos qualquer roteiro que a coisa vai sempre correr bem.

Foi o caso. É genial a idéia de construir uma história, incluindo 3 mortes bestas, em cima de um equívoco estúpido. E nem sequer há uma nuance de suspense ou de tragicidade. O filme não é trágico, embora fale de relacionamentos desmoronados, vidas em frangalhos e mortes inexplicadas. Claro que os atores escolhidos ajudam. O que eu mais gostei foi o John Malkovich e a fria personagem da Tilda Suinton, ainda melhor por nem sequer se questionar sobre a sua condição.

Enfim... fico aguardando a crítica a sério do Mr Movie. A propósito, alguém pode me explicar o que aconteceu com o personagem do George Clooney? É que eu me virei para fazer um comentário bem na hora em que o estúpido do ex-chefe do Malkovich descreve o que se passou e fiquei sem saber o desenlace desse item.

Ai Jesus, que eu vou conseguir me redimir das minhas faltas ao cinema nos últimos meses!

sábado, 29 de novembro de 2008

Seja sexo ou cinema


Fui ver o novo Woody Allen. Gostei. Diria mesmo que gostei muito. Ri do humor que execra o grotesco que há na sociedade americana, mas não apenas nela, em quase todas, mas que nela é como que validado e abençoado pelo status quo, enquanto em outras, europeias, por exemplo, parece algo apenas tolerável, como a futilidade e o materialismo levados à sua mais refinada estupidez. Gente que fala de decoração como se da essência da vida se tratasse. Boring people. Porém apenas no contraste com outras coisas, digamos, mais radiantes de vida. Botem as mesmas abordagens e os mesmo diálogos em uma daquelas revistas lindas em papel cochê, com uma quantas fotos de lugares clean and basic, com cores cruas e boa luz e fica tudo tolerável. Parece que o mundo só existe no contraste. Como afirmam aliás, alguns lingüistas, mas, OK, eles falam de outros fatos, outras problemáticas. Mas os psi tb dizem isso: eu existo enquanto mulher porque me oponho a outros seres que são homens. Reconheço-me na minha cultura pois encontro indivíduos de outras culturas, tão seguros da sua validade absoluta quanto eu da minha a ponto de esquecermo-nos, uns e outros, da relatividade gritante que há em cada escolha, em cada olhar, em cada comentário.

Mas gostei do filme. Aí, chega um indíviduo blasé, ou que se quer acima do resto da pobre humanidade, na qual eu me incluo (essa humanidade que expressa abertamente o prazer que obteve do ato), e o tal indivíduo diz aquela baboseira que a gente já ouviu algumas vezes, que o bom mesmo do WA é o seu lado depressivo, que "esse sim é o WA que eu gosto" e que o resto é só mais um filme bem feito e passemos aos mesmos comentários acerca de Almodóvar, e por aí vai. Saímos da sala de cinema e passamos à realidade nua e crua e impregnada daqueles terríveis cheiros de um shopping center, em que se misturam as comidas mais bestas com os perfumes dos usários, num pot-pourri enlouquecido, o qual só se consegue suportar se começamos a pensar na filosofia mais abstrata da vida. Aqui entra a minha principal observação sobre o evento desta noite.

Diria eu ao indivíduo blasé (caso tivesse o que se chama no cotovelo da Europa, pachorra) "olha só, bem feito, pra mim, é o que me dá prazer, seja sexo ou cinema" e ponto. Tá certo, tem que ter fotografia, música e algo que escape a todas a enumerações objetivas mas que é resultado da soma de todos os itens que compõem a obra, mas que não é passível de identificação individualizada. De toda forma, não tou muito preocupada se o realizador (essa palavra até cai bem nas duas situações) é calvo ou branquela, se escolhe bem a cor da camisas ou se come rúcula com os dedos. Só não pode ter um cheiro que me afaste ou uma voz que não me envolva. E tem que fazer filmes que me envolvam em alguma parte indefinida do meu ser ou da minha existência. Claro, pois eu estava falando de cinema, sobretudo. Aliás, eu até acho que gosto mais de cinema do que de sexo (ou é a noite de chuva depois de muito trabalho). É que cinema é um produto que já está acabado e pronto quando você vai usufruir dele. Sexo você tem que construir e depende do humor (seu e do outro) no momento. E depois, cinema, assim como sexo, você tem 50% de chances de gostar ou não gostar, mas se gostar, do cinema, você vai poder repetir a dose e o prazer, sem se preocupar se estará num bom momento, ou se você envelheceu, ou se mudaram as suas preferências. Em geral, se você gosta de um filme, sobretudo se você gosta de um diretor, você gosta dele, não vai mudar de opinião. Pode moldar o olhar, aliás, aqui também, acho que o objeto modela o olhar, caso você goste da primeira vez. Já o sexo... eu nem preciso desfiar o que os mais crescidinhos já estão fartos de saber... próximo filme, por favor. E sem companhias experts em cinema, please.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CEP 20.000


Encontrei por vias transversas - tudo parece sempre acontecer por essas vias, aliás - um lugar que se chama Rio que mora no mar. Tem coisas básicas, sem ufanismo, só a mera constatação de, que me desculpem os de outros lugares (parodiando o Vinícius), mas o Rio é fundamental. Vou colocar nos links, mas recomendo uma passagem imediata por aqui.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sobre blogs e blogueiros

O Lauro Antonio Corado é um bloger inattendu e insuspeito pois não faz parte da geração blog padrão, também não passou a adolescência escrevendo pessoalidades e usando codificações duvidosas que só têm por mérito isolar em uma redoma de linguajar pequenos (ou grandes) grupos de semi-desocupados (ou de desajustados de qualquer espécie) como é o caso, em geral, do jargão adolescente de conteúdo, em geral, esvaziado.

E assim, escrevendo em linguagem impecável e usando textos, às vezes, longuíssimos - contra toda padronização bloguística - Lauro consegue o inesperado, ter um blog atualizado e interessante, multidomínios e agradável aos olhos, levando o caráter plurissemiótico do gênero às últimas conseqüências, mas sem cair no vulgar ou se descaracterizar. O LA apresenta tem uma identidade que não se perde e a não perder.

Tudo isto para dizer que ele nos ofereceu um excelente texto sobre o gênero blog que, apesar de longo, considero leitura necessária para quem se interessa genuinamente pelo gênero, seja para brincar de escritor de blogs, seja para exercer o papel de leitor público ou incógnito como tantos
lurkers que conheço. Ou, para quem começa, como eu e outros, a criar sistematizações passíveis de serem utilizadas em aulas de práticas da linguagem, onde se ensina que a Internet e seus gêneros há muito deixou de ser brincadeira de adolescentes e "desocupados" - rótulo muito em uso na década passada - e se tornou coisa séria. Séria no que diz respeito aos processos de construção e aos seus conteúdos, mas ainda e sempre genuinamente lúdica na forma e nos conteúdos. Deixo, abaixo, uma provinha para quem tem pressa, mas tudo está aqui, é só clicar.

Navegar na Internet, surfar pelos blogues impõe uma mentalidade nova e um rigor cada vez maior. A ingenuidade não é mais possível e essa é uma das características para que urge alertar o consumidor passivo destas novas ferramentas tecnológicas.
(...)
A blogosfera tem de tender a ser essa terra de respeito mútuo, de construção colectiva, de utopia possível.
Numa altura em que quase todas as utopias ruíram, em que os valores se afundam, em que o materialismo guerreiro se tenta instalar com os resultados que todos vemos, é importante reinventar novas utopias, que sendo utopias todos sabemos não cumpridas a cem por cento no futuro, mas prováveis de concretizar em larga medida.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Para além do simbólico e dos democratas - um aniversário

Se eu fosse um ultraconservador republicano, diria que ela só podia mesmo ter nascido num dia como o de hoje. Ou, por outra, que o Obama só podia ser eleito num dia como o do aniversário dela. É quase o mesmo. O fato é que a Menina sem nome faz anos hoje e já que ela não deve ter tido arroz-doce em condições, deixo-lhe aqui um mimo, diretamente de uma primavera que nunca mais voltará, pra nenhuma de nós, mas que merecemos todas lembrar muitas vezes. OK, o Bárbaro Branquinho também.

Feliz Aniversário!

Por questões de segurança e privacidade digital, foto absolutamente fantasiosa. Todas as situações e personagens foram inventadas - exceto pelo arroz doce que foi a mãe da S. quem fez e estava uma maravilha; o vinho e o doce de figo que a L. trouxe também; o jantar que a T. fez idem; além dos risos e da farra que foi ótima; e o queijo da serra, claro.
Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência.

Do simbólico para os humanos


Não é porque eu ache que as coisas podem mudar como num passe de mágica. Mas porque nós precisamos de símbolos e rituais para empreender mudanças e foi-nos oferecido um símbolo como há muito muito muito tempo não tínhamos. Adorei ler as notícias hoje ao acordar e não é porque eu seja ingênua ou acredite em milagres (eu até acredito!), mas eu prendo-me sobretudo ao valor simbólico desta eleição. Foi o acontecimento do ano. Hors-concours pra tudo!

A foto me foi enviada pela Olga, visitante itinerante deste boteco.

sábado, 1 de novembro de 2008

Fim do quartinho dos fundos


Este blog já ultrapassou, em postagens, a minha idade em anos e eu estou num impasse. Eu sempre chego a este tipo de impasses, pois, por mais que assuma compromissos comigo e com os outros, a minha natureza não aceita bem esquizofrenias e eu só consigo ser inteira em cada coisa e não só uma parte de mim e do que eu sou, para guardar sovinamente a outra (ou as outras) parte para uma melhor ocasião.

Com este blog acontece o mesmo. Melhor dizendo, este era para ser a parte pública e o outro, a casa da árvore, o interior, o quartinho dos fundos da minha boate onde só entrariam os VIP para beber scotch 12 anos ou fumar o melhor fumo. Como eu não fumo coisa alguma e me satisfaço com Johny Walker 8 anos, dividi-o com todos os que passam e cujo olhar, ainda que virtual, me parece límpido e do bem, ou louco e intrigante. E eu dificilmente me engano com os olhares.

Assim, hoje vou ser íntima e pessoal, pois é difícil ser outra coisa o tempo todo. Claro, estou aprendendo que em determinadas ocasiões, em certos espaços e com específicas pessoas, é preciso ser sempre menos, só uma parte e nunca, nunca, nunca ser o que se é, sob o risco de dar com os burros n'água e sair de nariz esmurrado, joelhos feridos e dente quebrado, sobretudo se não se sabe pôr as mãozinhas na frente quando se cai. Isso é outra coisa que eu nunca aprendi, apesar dos aniversários, pôr as mãos na frente. Mas ainda não desisti. Só que sou má aluna, talvez esse seja o problema.

Fui boa aluna na escola, no colégio, na faculdade. Fui ótima aluna no mestrado e no doutorado. Mas, na vida, sou má aluna: indisciplinada, cheia de vontades e com péssimos hábitos como os de me apaixonar por muitas coisas e por algumas pessoas. Depois que a paixão se instala, eu faço qualquer coisa para prolongar a experiência, mas todos sabemos que as exposições acabam, que as pessoas desaparecem, morrem, se mudam e que no fim daquele maravilhoso espetáculo do Gades a cortina sempre se fecha definitivamente e é hora de levantar da cadeira, encontrar um transporte e seguir para casa.

Estou começando a me exercitar na arte de encontrar o transporte certo e escolher o caminho mais curto e seguro para casa. Mas a vida é tão mais interessante do que isso (quase) o tempo todo...

domingo, 19 de outubro de 2008

Olha praí, olha...



... é o que quer dizer o título do filme que vi ontem. Tem a função de um protesto, de uma exclamação de enfado, no baianês delicioso dos personagens. Tem tudo que a gente tem no Brasil e em boa parte do mundo: heróis, canalhas, malandros, prostitutas, foliões, desgraças, alegrias baratas, beatas, macumbeiras e assassinos, além de muita cor, no entorno e nas pessoas. Tem também música da boa, com a Virgínia Rodrigues cantando que é uma delícia e metade do casting dançando à toa. Termina com um toque de realidade feliniano, não fosse o filme inteiro já bem realista. Mudou meu fim de semana, e eu nem me importo se é filme B ou Y... é filme e é um bocado autêntico.

Gabeira ou um fato eleitoral muito novo, para o meu amigo Joca


MARTHA MEDEIROS

Se o Gabeira ganhar

“Sempre fomos amigos, ele é uma pessoa capaz e não pretendo vencer a qualquer preço.” O autor dessa frase é Fernando Gabeira, avisando que não engrossará o tom da campanha para enfrentar Eduardo Paes no segundo turno pela prefeitura do Rio.Infelizmente, algumas mulheres e homens íntegros costumam dar férias para sua integridade durante campanhas eleitorais. Nessa hora, todo mundo vira leão e quer devorar o outro. Imagine um candidato admitir, antes do resultado final, que o adversário é um homem capaz. Por essas e outras é que a grande novidade desta eleição foi a votação expressiva de Gabeira, a despeito de todos os preconceitos que poderiam barrar a alavancagem de sua candidatura. Isso, por si só, já é uma vitória do Brasil – não só do Rio de Janeiro.

Se Gabeira ganhar, será a prova de que o brasileiro está votando de forma mais consciente e que cansou de ficar se lamentando em balcão de bar, repetindo a ladainha de que político é tudo igual.Se Gabeira ganhar, saberemos que existe uma parcela da população que não tem medo de quem possui uma mentalidade aberta e que está apostando em novos horizontes, em quem tem experiência não só política, mas de vida.

Se Gabeira ganhar, finalmente teremos em um cargo público um homem que conversa com o eleitor feito gente grande, dizendo exatamente o que pensa, em vez de apelar para discursos fleumáticos e repetitivos, entulhado de jargões.Se Gabeira ganhar, vai ser a recompensa merecida por ele ter peitado Severino Cavalcanti, dando nele um cala-boca que todos nós gostaríamos de ter dado na ocasião do “mensalinho”.

Se Gabeira ganhar, não será apenas o deputado federal que assumirá o cargo, mas também o escritor e jornalista que tantas vezes defendeu as liberdades individuais, os direitos humanos, as formas alternativas de viver em sociedade e que possui uma consciência ecológica que vem de muito antes disso virar moda.

Muitos políticos – inclusive Fogaça e Maria do Rosário, que disputarão o segundo turno aqui em Porto Alegre – já eliminaram a pose de super-heróis e a prosa característica dos “profissionais” do ramo, aqueles que dizem apenas o que o eleitor quer ouvir, sem compromisso com a viabilidade do que está sendo dito.

Mas Fernando Gabeira, pela projeção nacional que tem e pela cidade problemática que pretende governar, é o fato eleitoral de 2008. É interesse de todos que o Rio resolva suas dificuldades, e que a política brasileira espane a caretice e ganhe um perfil mais corajoso e cosmopolita. Se ele será um bom prefeito, caso vença? Não tenho bola de cristal. Mas ter superado a desconfiança diante da sua biografia incomum já é motivo para comemorarmos.

Retirado do Jornal Zero Hora, que circula na cidade de Porto Alegre, localizada a uns bons 1.500 km do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

G de...



... Gabeira!

"Vossa Excelência está em contradição com o Brasil, sua presença (a de Severino na presidência da Câmara) é um desastre para o Brasil"

Com essa frase, ele iniciou, em 2003, o movimento de cassação do corrupto presidente da câmara que saiu de lá, vinte-e-um dias depois.

Contra todas as previsões conformistas (e a minha ajuda!), o senhor de 67 anos virou o jogo no primeiro turno. Tou em campanha a partir de agora.








domingo, 5 de outubro de 2008

Francesco


Eu devia ter uns 12 anos, não mais. Era a primeira vez que ia ao cinema sozinha. Pelo menos foi isso que acabou acontecendo. Eu marquei com uma colega de escola que não apareceu, era um cinema de bairro, pertinho da escola, que hoje não existe mais. Eu tinha comprado a entrada e, quando deu a hora, entrei e fui sozinha, orgulhosa da minha coragem, assitir ao meu primeiro Zefirelli: Fratello sole, sorella luna. Na época eu nem sabia bem o que era cinema, ou melhor, Cinema, com capital letters, mas eu sabia que a sensação da telona e tudo que vinha a seguir ao apagar das luzes era uma das melhores sensações que já tinha experimentado.

O filme deixou marca indelével. Hoje, mais de 30 anos depois, eu consigo lembrar da impressão que me causou. Lembro, sobetudo, da impressão que aquela figura masculina e frágil me causou. Nunca mais eu me livrei da sensação. Virou um ícone. Na época eu começava a frequentar a igreja católica por minha livre vontade, freis agostinianos e comunidades de base onde viria a surgir o primeiro partido de esquerda, quando a ditadura finalmente fosse dada por encerrada, 10 anos depois. Alguns anos mais, veio a decepção com a instituição. Vieram outras leituras, vieram outras experiências, individuais ou em grupo, e eu me afastei daquela igreja, embora me diga sempre católica, sei que sou isso mesmo, ainda que tenha concepções que se afastam muito das regras em vigor e cada vez mais, a julgar pelos dois últimos pontífices.

Uma coisa, porém, permanece daquela experiência "cinematográfica" em mim: Francesco. O de Assisi. Nunca mais na vida livrei-me da admiração e de uma ternura solidária por aquela figura de homem que, intimamente, eu sei, ninguém jamais vai descrever com fidelidade, dada a distância temporal, o desgaste histórico, o sobrepor, incessante e desmesurado, de imagens e interesses sobre a figura original. Como se fosse um afresco antigo que desaparece sob a cal, reaparece com novas cores, com dourados improváveis, com descalabros. Seja como for, eu sou absolutamente hipnotizada pelo Francesco d'Assisi. E as coincidências andam sempre rondando.

Há anos, em Florença, no mercado ao lado da entrada da Ponte Vecchia (a que incendiou, mais tarde), todos compravam um sem número de coisas, grandes e pequenas, eu, a única coisa que comprei, pois achei aboslutamente extraordinária, foi um crucifixo em madeira, daquelas imagens típicas da iconografia bizantina, com dourados e sem perspectiva. Era a imagem mais bonita que eu já tinha visto de crucifixo, a mais singela também. Ainda me encanta aquele estilo, há uns anos em Antuérpia, fui parar dentro de uma igreja ortodoxa, com aquela conhecidíssima imagem da N.Sa. do Perpétuo Socorro, bem bizantina, chapada em uma parede de uns 5 metros de altura. Linda.

Pois bem, o crucifixo florentino eu guardei e ainda está em uma parede de corredor da minha casa, acompanhou-me em muitas andanças e démenagements. Este ano, pela Páscoa, fui a uma exposição de crucifixos organizada no centro cultural do católico lugar onde trabalho, vejo o "meu" crucifixo entre os trezentos e tantos exemplares, pergunto ao padre que organiza a exposição alguma informação sobre o dito e ele, muito naturalmente, responde: esse é o Cristo de Assis. Eu quase caio dura, pois aquela compra, treze anos atrás, tinha sido absolutamente intuitva, a minha (se é que se pode chamar assim) devoção começou a se concretizar bem mais tarde. Descobri, hoje, que, de fato, aquele crucifixo é o que estava na igreja de San Damiano, construída por Francisco e seus amigos, reconstruída de uma capela em ruínas. Aquela, não a outra, basílica rica e pomposa, que nada tem a ver com a simplicidade e o que devia ser o coração daquele homem.

Desde então, ganhei umas quantas imagens, comprei outras, aprendi pequenos detalhes, descobri o Tau, encontrei um editor paulista que é tão devoto que tem imagens de Francesco de todos os lugares por onde já passou. Descobri que no Nordeste do Brasil, é o Francisco das Chagas, destino de peregrinação em época de seca ou de qualquer outra aflição. Ganhei de uma pessoa especial um exemplar de lá, feito em madeira, por um mestre-santeiro conhecido. Também comprei algumas, muito menos do que as que me foram oferecidas.

Ontem foi dia dele. Da morte dele. E eu tinha que falar sobre isso hoje. Agrada-me mais do que mencionar a República Portuguesa, ou as nossas eleições, embora, eu tenha feito uma prece silenciosa, com todo o meu coração, antes de apertar o botão da minha eletrônica urna, para que um pouco da energia e do espírito do Francesco escorram lá da velha Assisi até nós.


sábado, 4 de outubro de 2008

De poetas e de gatos


Uma das raras e preciosas frequentadoras deste boteco fez uma postagem que eu, absolutamente, preciso divulgar. Vejam aqui, o que faz um poeta quando é humilde o suficiente para admirar essas especiais criaturas, os gatos.