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domingo, 22 de março de 2009

As diferentes versões para o sumiço

Aos que acharam que Lóri tinha mordido a maçã errada e tinha ficado como a moça do cartaz...

... vimos anunciar que foi apenas uma reviravolta, que começou aqui mesmo junto ao mar e continuou no meio do oceano, lá onde o vento faz a curva, nas ilhas de Atlântida, terra de magia. Estava ela bem no centro da Capital a tentar entender o falar tão castiço do lugar...



... e a confabular com a maioria demográfica (?) que aliás é muito simpática e tão "requinha".


Mas, sempre há mais de uma versão para o mesmo fato. Há quem diga que não existe a verdadeira história, apenas, versões de um fato.


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Do simbólico para os humanos


Não é porque eu ache que as coisas podem mudar como num passe de mágica. Mas porque nós precisamos de símbolos e rituais para empreender mudanças e foi-nos oferecido um símbolo como há muito muito muito tempo não tínhamos. Adorei ler as notícias hoje ao acordar e não é porque eu seja ingênua ou acredite em milagres (eu até acredito!), mas eu prendo-me sobretudo ao valor simbólico desta eleição. Foi o acontecimento do ano. Hors-concours pra tudo!

A foto me foi enviada pela Olga, visitante itinerante deste boteco.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Para não mudar de assunto


Acho importante que se continue falando desse assunto, há fantasmas que precisam ser exorcizados muito tempo até que nos deixem em paz. Quando esses fantasmas assombraram durante 21 anos toda a população de um enorme país e, pelo menos, duas gerações de adultos foram razoavelmente afetadas por eles, os motivos tornam-se mais fortes.

Agrada-me, também, que o país onde ocorre esta iniciativa seja justamente (diferentemente do Brasil) onde mais se falou e onde mais se exorcizou a ditadura.

Gostaria de ter oportunidade de ir lá conferir, como não me parece possível, partilho a notícia. O que já não é mau, considerando que saber também é poder.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ainda que o Daniel...

... Cohn-Bendit diga que não existe mais, que talvez nunca tenha existido, a não ser no desejo dos jovens de 40 anos atrás, eu acho, e estou certa de que muitos hão de concordar, que este mundo está cheio de motivos e pretextos para um outro maio. Há algo nesta estúpida esfera cada vez mais recheada de cérebros que pede, exige, que não se perca o sentido de Mai 68. Mesmo que todos já saibam que há sempre um pedacinho de plage sous les pavés. Mesmo que já quase nada seja proibido. Ou por isso mesmo.



Maio continua nas ruas do meu país. Maio continua nas ruas do meu outro país. Por favor, corrijam-me os daí, Luís, Rosa, Lauro, Cla. Ou melhor, maio devia continuar, a ver se alguém começava um novo modo de se conduzir e de conduzir os dias e as noites do povo que mora nas calçadas e dos que moram em casas que mal podem receber esse nome e dos que nem moram, por já se terem esquecido que fazem parte da mesma espécie dos que passam, pasta de couro embaixo do braço, perfumados e ausentes do mundo que os cerca. Anda tudo colorido, como abaixo. Mas as palavras do Caetano nunca foram tão realistas.

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento no planalto central
Do país

Viva a bossa-sa-sa
Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça
Viva a bossa-sa-sa
Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça

O monumento é de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata
O luar do sertão
O monumento não tem porta
A entrada de uma rua antiga, estreita e torta
E no joelho uma criança sorridente, feia e morta
Estende a mão

Viva a mata-ta-ta
Viva a mulata-ta-ta-ta-ta
Viva a mata-ta-ta
Viva a mulata-ta-ta-ta-ta

No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina e faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira
Entre os girassóis

Viva Maria-ia-ia
Viva a Bahia-ia-ia-ia-ia
Viva Maria-ia-ia
Viva a Bahia-ia-ia-ia-ia

No pulso esquerdo bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração balança a um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhora e senhores ele põe os olhos grandes
Sobre mim

Viva Iracema-ma-ma
Viva Ipanema-ma-ma-ma-ma
Viva Iracema-ma-ma
Viva Ipanema-ma-ma-ma-ma

Domingo é o Fino da Bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno, meu bem

Viva a banda-da-da
Carmem Miranda-da-da-da-da
Viva a banda-da-da
Carmem Miranda-da-da-da-da



domingo, 11 de maio de 2008

A Tropicália

Pra recordar.
Quando éramos revolucionários.
Quando éramos crianças.
Quando acreditávamos.
Quando lutava-se.
Quando amava-se.
Quando a terra era um planeta azul.
Quando havia ainda mais de 30 anos para se consertar o século.
Quando havia um país a consertar.
Quando iam todos mudar o mundo.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Tibet

Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta

O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta

Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é dar poder a malta
O que faz falta

por Zeca Afonso

Por que ainda falta fazer outros "25 de abril". E muitos nunca chegarão a ser.

Foto tirada daqui.