Uma das raras e preciosas frequentadoras deste boteco fez uma postagem que eu, absolutamente, preciso divulgar. Vejam aqui, o que faz um poeta quando é humilde o suficiente para admirar essas especiais criaturas, os gatos.
sábado, 4 de outubro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Maria Keil - Será possível?
To: Metropolitano de Lisboa
Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933. De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações, que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo.
Para esta “história”, no entanto, o que interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano.
Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se darem ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos.
A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que, ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização.
Pergunta-se “porquê? Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!
Este crime silencioso não pode continuar impune. Pior do que o crime em si será o (nosso) silêncio à sua volta.
Como tal os abaixo assinados exortam o Conselho de Gerência do Metropolitano de Lisboa a, rapidamente, deligenciar obter os desenhos dos painéis destruídos e mandar executar, à empresa que produziu (a Viúva Lamego) novos painéis.
Com todo o respeito, os abaixo assinados.
Retirado daqui, onde se pode assinar a petição.
Por favor, meus queridos portugueses, digam que isso é mentira.
Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933. De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações, que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo.
Para esta “história”, no entanto, o que interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano.
Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se darem ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos.
A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que, ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização.
Pergunta-se “porquê? Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!
Este crime silencioso não pode continuar impune. Pior do que o crime em si será o (nosso) silêncio à sua volta.
Como tal os abaixo assinados exortam o Conselho de Gerência do Metropolitano de Lisboa a, rapidamente, deligenciar obter os desenhos dos painéis destruídos e mandar executar, à empresa que produziu (a Viúva Lamego) novos painéis.
Com todo o respeito, os abaixo assinados.
Retirado daqui, onde se pode assinar a petição.
Por favor, meus queridos portugueses, digam que isso é mentira.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Da cor do sol
Que Deus me dê, antes de morrer, os sabores da cor do sol. Do sol que arde no deserto dos homens azuis; do sol que paira sobre a Toscana dos muros ocres; do sol que banha o Mediterrâneo das casas brancas; do sol que brilha no Nordeste e faz as mangas serem tão perfumadas e doces que só de passar perto delas apetece não ser mais nada além de um ser vivo que pode se alimentar do cheiro e do sabor que elas guardam; do sol das laranjas de Allambra, das laranjas da Bahia, das laranjas que jazem numa banca à espera, em um frasco feitas cristal, com açúcar e magia e derretem na boca depois do jantar.
E que Deus me dê, igualmente, antes de morrer ( e mais algumas vezes antes disso, se possível) todos esses sabores e aromas e mais os do encarnado tomate seco ao sol, molhado no azeite, temperado com hervas e desejo. E que me dê, também, para acompanhar, a maciez do centeio feito pão, como nas serras da infância da minha mãe e que se possa regar tudo isso, com a dourada cerveja ruiva que os monges se encarregaram de nos deixar de herança, para não esquecermos que o estômago fica perto do coração e que os lábios saboreiam e beijam com a mesma saliva e intensidade.

E que Deus me dê, igualmente, antes de morrer ( e mais algumas vezes antes disso, se possível) todos esses sabores e aromas e mais os do encarnado tomate seco ao sol, molhado no azeite, temperado com hervas e desejo. E que me dê, também, para acompanhar, a maciez do centeio feito pão, como nas serras da infância da minha mãe e que se possa regar tudo isso, com a dourada cerveja ruiva que os monges se encarregaram de nos deixar de herança, para não esquecermos que o estômago fica perto do coração e que os lábios saboreiam e beijam com a mesma saliva e intensidade.
domingo, 31 de agosto de 2008
Because the world will always welcome lovers...
... as time goes by.
Eu bem precisava de um break nesta minha bronca and he gave me a break. Thanks so much, Mr Movie.
Apesar de todas as broncas e de tudo que é tão mais ou menos, ou francamente dispensável, restam os passatempos de verão do meu querido Lauro Antonio e o seu final que é imbatível, de todos os filmes, de todos os affairs, de todos os tempos, Casablanca. Mas esse filme não seria esse filme, se não fosse Miss Bergman, imbatível, e se não fosse a voz de Blue Eyes e se não fosse esta canção. Para coroar um verão na casa do cinema, só podia ser isso. Então, minha humilde concordância com um post maravilhoso que está aqui.
Eu bem precisava de um break nesta minha bronca and he gave me a break. Thanks so much, Mr Movie.
Apesar de todas as broncas e de tudo que é tão mais ou menos, ou francamente dispensável, restam os passatempos de verão do meu querido Lauro Antonio e o seu final que é imbatível, de todos os filmes, de todos os affairs, de todos os tempos, Casablanca. Mas esse filme não seria esse filme, se não fosse Miss Bergman, imbatível, e se não fosse a voz de Blue Eyes e se não fosse esta canção. Para coroar um verão na casa do cinema, só podia ser isso. Então, minha humilde concordância com um post maravilhoso que está aqui.
You must remember this
A kiss is still a kiss
A sigh is still (just) a sigh
The fundamental things apply
As time goes by
And when two lovers woo
They still say: "i love you"
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by
Moonlight and love songs - never out of date
Hearts full of passion - jealousy and hate
Woman needs man - and man must have his mate
That no one can deny
It’s still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by
sábado, 30 de agosto de 2008
Espanto

Coisas que não consigo entender:
1. Polícia Federal falando em nome do presidente da república.
2. Crianças vítimas da violência materna ou paterna.
3. Tribunal de Justiça que favorece assassinos.
4. Meninas de cinco anos atiradas pela janela pelo pai.
5. Candidato a prefeito aliado a traficantes.
6. Bebê de três meses atirado pela janela.
7. Agricultores contra índios, índios contra brancos, brancos contra índios, índios contra índios.
8. Bebê de três meses incendiada pela mãe de dezoito.
9. Polícia paga pelo contribuinte que não protege o contribuinte.
10. Grávida de vinte e um anos morta com bala na cabeça em lan house.
11. Jovem de vinte anos morto por procurador de justiça no posto de gasolina.
12. Jovem de dezoito anos morto por policial na festa.
13. Bebê de um ano incendiada pela mãe de dezoito anos.
Além disso, não entendo a inveja entre amigos, o ódio em família, a mesquinhez entre humanos, as palavras não ditas, os abraços poupados, as ofensas distribuídas, o céu azul desperdiçado.
Foto de JP Coutinho tirada daqui.
Foto de JP Coutinho tirada daqui.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Tristes trópicos... tristes???
"Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos."Churchill (1874-1965)
Há, realmente, coisas que só devem acontecer por aqui, nestes trópicos que o Strauss chamou de tristes, mas que, ao contrário, me fazem rir satisfeita e acreditar que, como o Churchil comentou sobre a democracia, este lugar também deve ser, entre todos os do planeta que não se parecem (ou, sim, parecem) com o paraíso, o pior lugar, salvo todos os outros.
Estava eu no já esperado, terrível e temível engarrafamento de sexta em fim de tarde na Lagoa. Tinha até me preparado para a prolongada espera dentro do bólido vermelho, comprei Prestígio e Suco de uva diet. Quando, a vida ou a cidade (pois eu sei que isso só é possível em poucos lugares e, de preferência, abaixo do Equador) me oferece um espetáculo digno de nota.
Eu, na pista da esquerda, observava o movimento dos ambulantes que oferecem, aos motoristas, pipoca pronta, biscoito Globo e refri ou água daquelas caixinhas de isopor. De repente, um deles, homem de uns trinta e poucos, com sacos de biscoito nos dois ombros, começa a gesticular enfaticamente na minha direção, chamando e indicando - de-ses-pe-ra-da-men-te - um outro ponto, à sua esquerda, e à minha direita, já que ele estava de frente para mim.
Eu olho e só vejo um ônibus parado na pista da direita. Logo a seguir, percebo, correndo pela calçada da esquerda, uma mulher bem jovem, com a caixinha de isopor sacolejando no quadril direito. Ela passa pelo meu carro, atravessa a rua e ultrapassa o ônibus. O motorista do dito, aflito, põe o braço pra fora (além do bigode que se vê claramente no seu perfil) e aponta para trás, a moça, um pouco confusa, tenta seguir-lhe o movimento. Finalmente, há mais alguém com a mão de fora da janela, bem no meio do ônibus, apontando para dentro do veículo. Lá dentro, em pé, uma jovem de cachos louros estica-se, com uma nota de dois reais na mão, em direção à janela de onde saía a tal mão que apontava para dentro.
A ambulante olha para trás a ver se não corre o risco de ser atropelada pelos apressados moto-boys com suas irritantes buzininhas ansiosas, aproxima-se da janela e, moto-contínuo, tira do isopor uma garrafinha de água mineral, segura a tampa da caixa, estica a garrafa e, ainda segurando-a, pega a nota da mão da menina que continuava esticada dentro do ônibus, por cima das orelhas dos dois passageiros sentados na sua direção.
Aqui, vem o melhor. Eu observava tudo e pensava: "é, aumentaram os refris dos ambulantes, antes era tudo um real". Nesse momento, a vendedora não se move do meio da rua, apenas dá uma espiada na direção de onde vêm as afamadas motos pelo meio das duas filas de veículos, e enfia a mão no bolso.
Tudo se esclareceu e a minha mente de analista sociológica de meia-tijela quase vai ao delírio quando eu compreendo que, não apenas o ônibus continuava parado, apesar de não haver mais nenhum carro à sua frente, parado que tinha ficado, aguardando a chegada da ambulante da caixinha de isopor, como ele continuava exatamente no mesmo ponto da rua, esperando que ela procurasse a moeda para dar troco a sua feliz e loira compradora.
Enquanto isso, nenhum movimento estranho dentro do ônibus, nenhum sinal visível de impaciência, seja da parte do motorista (ele próprio tinha sido a prestável criatura que indicara quem afinal queria comprar o precioso líquido), seja da parte dos outros passageiros, nem mesmo aqueles, por cima dos quais, a passageira tinha se esgueirado para entregar o dinheiro e recolher a garrafa.
Afinal, a vendedora conseguiu encontrar a moeda, fez sinal ao motorista, que a observava pelo espelho lateral externo, de "só mais um instantinho" e pediu ao passageiro da janela que fizesse a gentileza de entregar o troco à sua freguesa. Claro, esta última e polida conversa eu não posso assegurar que se tenha passado, mas que eu fiquei encantada com toda a situação, lá isso fiquei. E a ela assisti de camarote, já que a minha fila, ao contrário da fila onde se encontrava o ônibus, continuava totalmente congestionada e com os carros parados nos mesmos lugares há pelo menos uns 10 minutos. Isso me lembra uma outra história, verídica, vivenciada pela Menina sem nome, mas fica pra outra hora, ou ela mesma se encarrega de contar.
Estava eu no já esperado, terrível e temível engarrafamento de sexta em fim de tarde na Lagoa. Tinha até me preparado para a prolongada espera dentro do bólido vermelho, comprei Prestígio e Suco de uva diet. Quando, a vida ou a cidade (pois eu sei que isso só é possível em poucos lugares e, de preferência, abaixo do Equador) me oferece um espetáculo digno de nota.
Eu, na pista da esquerda, observava o movimento dos ambulantes que oferecem, aos motoristas, pipoca pronta, biscoito Globo e refri ou água daquelas caixinhas de isopor. De repente, um deles, homem de uns trinta e poucos, com sacos de biscoito nos dois ombros, começa a gesticular enfaticamente na minha direção, chamando e indicando - de-ses-pe-ra-da-men-te - um outro ponto, à sua esquerda, e à minha direita, já que ele estava de frente para mim.
Eu olho e só vejo um ônibus parado na pista da direita. Logo a seguir, percebo, correndo pela calçada da esquerda, uma mulher bem jovem, com a caixinha de isopor sacolejando no quadril direito. Ela passa pelo meu carro, atravessa a rua e ultrapassa o ônibus. O motorista do dito, aflito, põe o braço pra fora (além do bigode que se vê claramente no seu perfil) e aponta para trás, a moça, um pouco confusa, tenta seguir-lhe o movimento. Finalmente, há mais alguém com a mão de fora da janela, bem no meio do ônibus, apontando para dentro do veículo. Lá dentro, em pé, uma jovem de cachos louros estica-se, com uma nota de dois reais na mão, em direção à janela de onde saía a tal mão que apontava para dentro.
A ambulante olha para trás a ver se não corre o risco de ser atropelada pelos apressados moto-boys com suas irritantes buzininhas ansiosas, aproxima-se da janela e, moto-contínuo, tira do isopor uma garrafinha de água mineral, segura a tampa da caixa, estica a garrafa e, ainda segurando-a, pega a nota da mão da menina que continuava esticada dentro do ônibus, por cima das orelhas dos dois passageiros sentados na sua direção.
Aqui, vem o melhor. Eu observava tudo e pensava: "é, aumentaram os refris dos ambulantes, antes era tudo um real". Nesse momento, a vendedora não se move do meio da rua, apenas dá uma espiada na direção de onde vêm as afamadas motos pelo meio das duas filas de veículos, e enfia a mão no bolso.
Tudo se esclareceu e a minha mente de analista sociológica de meia-tijela quase vai ao delírio quando eu compreendo que, não apenas o ônibus continuava parado, apesar de não haver mais nenhum carro à sua frente, parado que tinha ficado, aguardando a chegada da ambulante da caixinha de isopor, como ele continuava exatamente no mesmo ponto da rua, esperando que ela procurasse a moeda para dar troco a sua feliz e loira compradora.
Enquanto isso, nenhum movimento estranho dentro do ônibus, nenhum sinal visível de impaciência, seja da parte do motorista (ele próprio tinha sido a prestável criatura que indicara quem afinal queria comprar o precioso líquido), seja da parte dos outros passageiros, nem mesmo aqueles, por cima dos quais, a passageira tinha se esgueirado para entregar o dinheiro e recolher a garrafa.
Afinal, a vendedora conseguiu encontrar a moeda, fez sinal ao motorista, que a observava pelo espelho lateral externo, de "só mais um instantinho" e pediu ao passageiro da janela que fizesse a gentileza de entregar o troco à sua freguesa. Claro, esta última e polida conversa eu não posso assegurar que se tenha passado, mas que eu fiquei encantada com toda a situação, lá isso fiquei. E a ela assisti de camarote, já que a minha fila, ao contrário da fila onde se encontrava o ônibus, continuava totalmente congestionada e com os carros parados nos mesmos lugares há pelo menos uns 10 minutos. Isso me lembra uma outra história, verídica, vivenciada pela Menina sem nome, mas fica pra outra hora, ou ela mesma se encarrega de contar.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Descoberta


Finalmente descobri.....
...COMO ME PESAR.
Se calhar é isso que andamos todos a fazer. Passamos os últimos anos fazendo errado algo: trabalhando na profissão errada, amando a pessoa errada, ouvindo as pessoas erradas, dormindo do lado errado da cama... sabe-se lá. Vai o aviso, quem sabe ajuda a sair da bronca.
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